Marcos Silva(atuante do TIP por mais de dez anos)
Marcos Silva(atuante do TIP por mais de dez anos)ENSINO SUPERIOR BUREAU JURÍDICO
FACULDADE MAURÍCIO DE NASSAU
NÚCLEO DE CIÊNCIAS HUMANAS
CURSO DE BACHARELADO EM TURISMO
ÉLBANO MARIANO DA SILVA
ROSANA FERREIRA DA SILVA
TIP ENQUANTO ATRATIVO CULTURAL: UM RESGATE DO PASSADO E CONSTRUINDO O FUTURO
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Turismo apresentado à Faculdade Maurício de Nassau.
Orientadora: Profª do curso de turismo Adriana Garcia
AGRADECIMENTOS
Muitas foram às pessoas que contribuíram para a realização deste Trabalho de Conclusão de Curso. Temos a certeza de que, sem a colaboração delas seria impossível o término do mesmo. A algumas, notadamente, gostaríamos de expressar nossos sinceros agradecimentos:
• A Deus primeiramente por nos conceder sabedoria, paciência e perseverança.
• Aos nossos pais que sempre nos incentivaram a buscar o caminho do conhecimento, nos apoiando em todas as horas e vibrando com nossas conquistas;
• Aos professores do curso de Bacharelado em Turismo pelas contribuições, ensinamentos e atenção que nos prestaram ao longo desta nossa trajetória ;
• Por fim, a todos que contribuíram direta e indiretamente na construção e estruturação da pesquisa.
Rosana ferreira e Élbano Mariano
RESUMO
Este trabalho de conclusão de curso visa destacar o TIP enquanto atrativo cultural expondo seu potencial que vai além de equipamento de apoio ao turismo, alcançando o status de atrativo cultural da nossa cidade. O mesmo traz uma analogia da gestão passada resgatando a vida cultural e relacionando com a atual administração e suas potenciais ações de cunho social.
Palavras-chave: TIP, atrativo cultural, turismo.
ABSTRACT
This work of completion is to highlight the Integrated Passenger Terminal as cultural attraction exposing potential that goes beyond equipment to support tourism, reaching the status of cultural attraction in our city. This also brings an analogy of past management rescuing the cultural life and relating to the current administration and its potential social actions.
Key words: TIP, attractive, cultural attraction, tourism
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO 07
2 DESENVOLVIMENTO 12
2.1 História do Turismo 12
2.2 Contextualizando Atrativo Turístico 20
2.3 Contextualizando Transporte 23
2.3.1 Modalidades do Transporte 25
2.3.2 História do Transporte 27
2.3.3 História do Transporte Rodoviário 29
2.3.4 Modalidades do Transporte Rodoviário 31
2.3.5 Importância do Transporte Rodoviário 33
2.4 O TIP 43
3 CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS 44
APÊNDICE 46
1 INTRODUÇÃO
O Terminal Integrado de Passageiros Antônio Farias - TIP, foi inaugurado em 1986 depois de ter passado cerca de oito anos de construção, com a intenção de sanar os problemas dos usuários em relação ao espaço físico, conforto e acessibilidade. Já que na antiga estação do bairro de Santa Rita no centro da cidade, estes problemas vinham se agravando e gerando outros constrangimentos, inclusive ao tráfego da cidade.
O Terminal rodoviário que possui 44 mil metros quadrados e é um dos maiores da América Latina, recebe em média 12 mil usuários e/ou turistas por dia, e atinge em épocas de festividades como o carnaval, natal ou são joão até 30 mil pessoas. O terminal possui 25 lanchonetes, 15 quiosques de produtos diversificados e 14 lojas de artigos para presente.
O TIP em seus diversos anos de funcionamento, historicamente já foi além de um terminal de passageiros e portal de entrada de turistas, um local onde se tinha movimentação de entretenimento, isto significa que havia uma motivação das pessoas em visitarem o terminal por seus vários aspectos adversos a viagens. A sua funcionabilidade não era limitada aos serviços essenciais que se predispunham e a organização estrutural condizia à dimensão e visibilidade que o terminal possui dentro da região nordeste do Brasil.
Existe a intenção de um experimento acerca do antes enquanto Departamento de Estradas e Rodagens - DER e do depois, enquanto empresa brasileira que presta serviços de gestão integrada no apoio ao transporte de passageiros e atendimento ao cidadão, Sosicam, em relação à administração do terminal, totalmente voltada ao turismo no estado. Este experimento leva em conta uma forma mais eficaz de captação de recursos a partir de uma estratégia direcionada aos meses do ano, evitando assim épocas de sazonalidade do turismo muito abrangentes e duradouras. A intenção do mesmo é atrair cada vez mais um maior número de circulantes ativos no terminal (turistas do estado e demais), otimizando a receita final do supracitado TIP.
Entendendo que dentro do sistema do turismo Sistur, a energia potencial refere-se à uma força pioneira que leva ao desenrolar do processo, a visão que pode se ter quanto uma maior absorção de visitantes chegando ou partindo da capital é a motivação maior dos que o fazem. “no sistema de migração rural-urbana, por exemplo, a energia potencial pode ser considerada como estímulo que atua sobre os indivíduos do setor rural, fazendo-os dirigir-se à cidade (BENI, 2006 p.31).
A forma como deve-se explorar o TIP enquanto atrativo cultural é identificando com exatidão o número de visitantes que chegam a cidade, e a partir daí, com base nesses dados, haveria uma potencialização das ações voltadas aos meses do ano, onde se encontram uma menor circulação de turistas advindos de outros municípios e estados. Essa potencialidade seria alcançada através da retomada de ações culturais uma vez que o TIP já concentrou bastante ações voltadas com esse cunho.
O porquê de haver uma vontade de se explorar as ações do TIP enquanto atrativo cultural não é simplista, porém é de fácil percepção. Por ser um dos principais portões de entrada de turistas no estado é importante deixar no imaginário daqueles que entram, uma marca de cultura e regionalidade que é uma das principais características do nosso povo e isto só será efetivado com a precisão de identificação do perfil desse turista que chega ao estado junto a ações que visem cultura, lazer e entretenimento, características fundamentais para a plenitude da atividade turística em qualquer localidade.
Haja vista o tamanho e imponência que a rodoviária dispõe, é plausível a visão do TIP como um atrativo cultural onde a satisfação do usuário ao se utilizar de seus serviços, seja a melhor possível. Dando oportunidade a outras pessoas (inclusive o turista que não utiliza o sistema de transporte rodoviário), o TIP maximizará o seu operacional e trará em resultado, um melhor quantitativo junto à qualidade dos serviços disponibilizados.
Muitas pessoas ficam curiosas para conhecer as belezas da cidade. Através do TIP, vários visitantes regionais, intermunicipais e interestaduais chegam à capital. Já que o terminal rodoviário passou por um momento de privatização e várias intervenções foram postas em prática, é importante que a rodoviária consiga alcançar o imaginário da população que passará a contar com mais uma referência em termos de potencias turísticos, além de obter a oportunidade de experienciar momentos inesquecíveis.
O aproveitamento do seu espaço para a consolidação da divulgação da história do estado junto a manifestações culturais poderiam ser executadas exaustivamente em prol de um turismo inclusivo e com foco no ganho para a sociedade. Experiências vividas no passado da estação rodoviária, aliadas a um novo conceito de visão de gestão, formatariam a estrutura necessária para a recomposição do valor cultural regional perdida com o tempo.
Uma justificativa a mais, e não menos importante, está atrelada a nova tendência brasileira e regional que é a associação de importantes terminais aéreos, marítimos e ou rodoviários a nomes de personalidades que se destacaram de alguma forma na historicidade do seu local de origem. Este aglutinamento por conseqüência gera uma identidade marcante no imaginário das pessoas e desperta nelas a curiosidade de entendimento sobre o local e seus possíveis encantos.
A exemplo disto tem-se o aeroporto internacional dos Guararapes Gilberto Freyre que se reposicionou dentro de uma visão midiática adotando o nome de um ilustre filho da terra e isso se torna muito atraente para o setor do turismo. O que não acontece com o TIP, que por sua vez já carrega consigo o nome de um importante político, economista e visionário, mas que a grande maioria dos recifenses desconhece.
Quem um dia presenciou as atividades desfrutáveis do TIP, entende que é relevante a reintrodução de um sistema oportuno, cultural e acessível, o que também traria de volta a movimentação e o agito cultural do terminal. O passado é a nossa melhor janela no viés da construção de um futuro sólido e estruturado. Assim a sociedade como um todo iria se beneficiar, pois seria uma forma a mais de atrelar o desenvolvimento sócio-cultural ao turismo no estado.
Em entrevista informal ao então auxiliar administrativo da época, o senhor Eraldo Alves no ano de 2008, o TIP oportunizou durante o inicio de suas atividades, ações culturais que iam muito além da recepção dos viajantes que chegavam à capital. O mesmo oferecia não só aos que desembarcavam no terminal, mas a população em geral, formas diversas de entretenimento e cultura, como um cinema que exibia filmes dos mais diversos gêneros, concurso de quadrilhas matutas e estilizadas em épocas de festividades juninas e encenação da paixão de Cristo (na parte externa do seu entorno).
Todas essas atividades remetiam o TIP a um local de concentração cultural intensa e que por conseqüência atraia a atenção dos que se beneficiavam dos serviços essenciais prestados e captava outros interessados nesses acontecimentos, aumentando assim o consumo médio dos visitantes do terminal em relação as suas lanchonetes, quiosques e demais estabelecimentos comerciais.
Com tantas variações possíveis de entretenimento, o supracitado não desenvolvia por excelência apenas os seus serviços de transporte rodoviário e sim aumentava o imaginário da população local e visitantes quanto à questão cultural tão intrínseca e forte que está atrelado a todo povo pernambucano. Essas afortunadas ações co-relacionavam o uso de todo seu espaço e entorno com a realização de demonstração da identidade de um povo.
Segundo Eraldo Alves, quando houve um questionamento quanto a outras ações de cunho artistico-culturais que poderiam vir a ser desenvolvidas no local, o mesmo relatou que existia a intenção do alojamento da banda da polícia militar no 4º piso do TIP a cerca do mês de março ou abril de 2007 e que por motivos desconhecidos para ele, essa parceria não aconteceu e nada foi esclarecido completamente.
Com base em tais considerações registradas em entrevista e identificadas holisticamente é que se tem uma ponderação da necessidade de retomada desses valores que ao longo dos anos, mesmo passando por alguns diferentes gestores do DER, vem se extinguindo ou se perdeu por completo no tempo. Então qual seria a melhor forma de uso do TIP na questão de complementação de valores sócio-culturais em prol de um maior quantitativo turístico com base na identidade local?
Algumas das soluções plausíveis ao TIP seriam a princípio, um detalhado estudo acerca do acervo do terminal, que por sua vez, provavelmente deve se encontrar nos anais do órgão que o geriu no decorrer desses anos, a fim da obtenção, antes de qualquer coisa, do histórico das atividades culturais ocorridas através dos anos no terminal. Como essas ações eram captadas e realizadas e como se deu o processo de extinção delas é o primeiríssimo passo a fim de se entender todo o processo, identificando erros e acertos, para a maximização de futuras práticas.
Com esses dados em mãos haveria uma atualização do que poderia ser retomado e idealizado no presente momento, levando em consideração a atual gestão e suas principais necessidades de implementação. Este projeto se encaixa como uma das pioneiras ações que visam à preparação do terminal em função da captação de recursos artístico-culturais que o terminal terá que disponibilizar, enquanto cidade eleita como sede da copa do mundo em 2014.
Dentro deste projeto instigar-se-ia um olhar empírico, contemplando ações conseqüentemente voltadas ao lúdico, assumindo-se além de uma postura econômica ativa, um crivo sócio-cultural indissociáveis em qualquer planejamento. Pensando no TIP enquanto atrativo cultural as palavras de Lima Junior (2006) descrevem este paradigma:
O passado dá um sentido de identidade, de pertencimento e conscientiza acerca da continuidade das pessoas através do tempo. A memória coletiva modelada pelo passar do tempo não é mais do que uma viagem através da história, revisitada e materializada no presente pelo legado material, símbolos particulares que reforçam o sentimento coletivo de identidade e que alimentam no ser humano a reconfortante sensação de permanência do tempo. Os objetos do passado proporcionam estabilidade, pois se o futuro é aquele destino essencialmente incerto e o presente aquele instante fugaz, a única certeza que o ser humano possui é a verdade irrefutável do passado. (p.116).
Isto significa que nada é possível sem a prévia identificação do que já foi potencializado um dia. Em qualquer modelo de gestão que vise um deslumbramento cultural a historicidade se faz extremamente necessário, pois sem esse direcionamento como ponto de partida a inviabilidade da ação estará muito mais presente e já o mesmo não acontece se as diretrizes do passado derem suporte ao presente e ao futuro a curto, médio e longo prazo.
Apresenta-se por conseguinte, a importância do TIP não só como equipamento de apoio ao turismo, mas como atrativo cultural, levantando a situação na qual o terminal passava anteriormente e conseqüentemente sugerindo um melhor aproveitamento do seu espaço para a consolidação da divulgação da história do estado. Isto destaca a relevância do terminal como atrativo cultural para o aumento na demanda de turistas.
2 DESENVOLVIMENTO
Quanto à natureza da pesquisa, a mesma trouxe dentro das visões qualitativa e quantitativa as duas faces que engendram a metodologia científica, haja vista que na qualitativa o olhar prima por fenômenos ocorridos prevalecendo-se de relações interpessoais e na quantitativa o grande trunfo se dá por experiências baseadas na relação de causa e efeito estabelecendo elos, entre as partes de um todo.
Quanto ao objetivo da pesquisa, pode-se considerar explicativa, onde existiu a clara e nítida intenção da justificação desse específico fenômeno ocorrido no local da abordagem (VERGARA, 2007). E não menos importante a pesquisa exploratória que:
[...] procura aprimorar idéias ou descobrir intuições. Caracteriza-se por possuir um planejamento flexível envolvendo em geral levantamento bibliográfico, entrevistas com pessoas experientes e análise de exemplos similares. As formas mais comuns de apresentação das pesquisas exploratórias são a pesquisa bibliográfica e o estudo de caso (DENKER,1998, p. 52)
A pesquisa teve um caráter exploratório, pois existiu uma busca de melhorias a partir de uma idéia central extraída da análise própria dos investigadores, assim como descritiva, que tomou como referencial entrevistas já realizadas.
Entende-se assim que tanto na pesquisa exploratória quanto no estudo de caso existe uma propulsão particular que se autentica com consultas em acervos e na conversa olho no olho com pessoas diretamente ligadas ao assunto. Esta definição do autor se enquadrou perfeitamente no que diz respeito a essa abordagem que aqui se faz ao terminal integrado de passageiros, o TIP.
Para este estudo, levou-se em consideração teorias e constatações particulares, sendo assim foi utilizado um método indutivo de abordagem não desprezando a cientificidade que o caso necessita para seu embasamento. (GIL, 1999)
Os preceitos utilizados para a obtenção de várias das informações aqui descritas e o que correspondeu à coleta de dados foi realizada através de documentação direta intensiva, o que significa que além da observação que se prevaleceu do que foi visto, foi aplicada uma entrevista face a face que subsidiou a maior parte das informações necessárias e por hora já dispostas (DENKER, 1998).
Complementando a direta intensiva, não se pôde deixar de levar em consideração a direta extensiva no que diz respeito à experiência íntima que um dos pesquisadores possui com o local, por ser residente do entorno desde o mesmo ano de inauguração do terminal, acompanhando assim os vários agentes modificadores ao longo do tempo (IBIDEM, 1998).
Quanto à questão dos métodos dentro da pesquisa, levou-se em conta a visão hipotética dedutiva, onde Kaplan (1972) apud Gil (1999) declara que a experiência particular se torna uma grande aliada, e o olhar fenomenológico, que abraça a especificidade no tocante ao TIP, onde de acordo com Gil (1999) o objeto deve apresentar uma determinada situação real e totalmente relacionada com a atividade turística em qualquer estância.
No que diz respeito aos procedimentos técnicos, por vez pré-embasados e, por conseguinte, necessários na continuidade do trabalho, foi utilizado à pesquisa documental, onde houve uma busca por documentos que trouxeram a história da construção do terminal e bibliográfica, de onde a maior parte das informações previamente relatadas foram extraídas, e de campo porquê houve uma observação particular junto a coleta de todos os dados (DENKER, 1998).
No que se refere à pesquisa qualitativa, visou-se estudar os fenômenos, os dados obtidos que provém das interações no contato direto com outras pessoas não sendo probabilística. Já na pesquisa quantitativa o autor explica que diferentemente da qualitativa é possível a obtenção de resultados probabilísticos (APPOLINÀRIO, 2004).
Ainda permearam dentro deste trabalho o estudo de caso, este referente a um acontecimento contemporâneo, não identificável facilmente, sobretudo, de clara e fácil percepção se bem exposto. E por fim, mesmo adotando uma situação de breve risco, o método participante, que já foi arraigado no decorrer do mesmo, já que não se tem como negar a aproximação do investigador com o tema a ser investigado. Isto, porém, não quer dizer que se abriu mão do olhar imparcial e irrestrito que o tema necessita (VERGARA,2007).
Quanto à análise de dados, a pesquisa trouxe uma análise causal que examinou os agentes de determinado fenômeno (DENCHER, 1998). Por vez aqui descrito o referencial teórico abordou a contextualização referente aos principais temas que fazem parte de um trabalho científico, equivalendo a revisão do tema segundo textos lidos através de citações dos autores utilizados.
Toda esta metodologia utilizada foi de bastante valia no sentido de caracterizar o tema e sua percepção, que deram suporte para que o referencial teórico do mesmo venha a ser descrito de forma a elucidar a proposta de adaptação do terminal.
2.1 Conceituando turismo
Ao falar em turismo é inevitável não relacioná-lo com passeio, lazer e diversão. No entanto turismo vai bem mais além disso, e para definir este fenômeno no intuito de provocar o melhor entendimento serão expostos variados conceitos e definições de diferentes estudiosos para facilitar uma maior compreensão. Por ser uma atividade intersetorial que trabalha com outras áreas, cientificamente esses conceitos são diversificados o que torna difícil uma definição uniforme.
No entanto a definição oficialmente utilizada é da Organização Mundial de Turismo (OMT) (1994) apud Sancho (2001), onde constata-se que o turismo abrange motivações diversas com uma questão temporária pré-determinada, juntamente a uma ação relativa à atividade desenvolvida neste período, tudo isto configurando-se fora do seu entorno de moradia e demais localidades que freqüenta.
Uma opinião bastante significativa é de Montaner (2001, p. 01) onde expressa sua sentença sobre turismo declarando que: “O turismo pode ser definido como a teoria e a prática de todas as atividades relacionadas com a atração, prestação de serviços e satisfação das necessidades do turista”. Este principio defendido pelo autor deixa evidente que o turismo envolve o conhecimento cientifico e o seu exercício afim de atingir as expectativas esperadas do visitante ao determinado local.
Outra definição bastante significativa é a de Herman (1910, p.23), que apesar de bem antiga se mostra mais atual do que nunca. O economista diz que o turismo é: “A soma das operações, especialmente as de natureza econômica, diretamente relacionadas com a entrada, a permanência e o deslocamento de estrangeiros para dentro e para fora de um país, cidade ou região.”
Esta segunda definição potencializa a atividade e ao mesmo tempo prova que o turismo é uma atividade intersetorial, geradora de divisas e que essencialmente depende do fator de conhecimento e locomoção para outro local que não faz parte da sua vida cotidiana para que assim se configure com em sendo o turismo propriamente dito.
Contemplando a percepção anterior sobre o turismo, ele pode ser entendido como movimentos que rompem a rotina do cotidiano, oferecendo novos cenários, abrindo novos horizontes e proporcionando intercâmbio cultural (CAMPOS, GONÇALVES, 1998).
Diante das visões extraídas do texto de Barretto (2002) o turismo constitui de serviços organizados prestados ao turista por profissionais qualificados e habilitados a desenvolverem essa atividade. O que se entende ainda sob considerações dos autores mencionados, é que o turismo é o deslocamento prévio com necessidades que não de trabalho, levando em conta o tempo de estada, que é de mais de vinte e quatro horas e menos de noventa dias.
De acordo com Goeldner (2002):
Poderíamos incluir em nossa definição de turismo as pessoas que estão participando de convenções, reuniões de negócios ou algum tipo de atividade empresarial ou profissional, bem como aquelas que estão em viagens de estudo com guia especializado ou fazendo algum tipo de pesquisa ou estudo científico (p.23).
Assim o turismo pode ser encarado como atividade que não só está ligado exclusivamente ao lazer e sim o mesmo estará agregado, depois de cumprir com obrigações de estudo e compromisso de trabalho o turista desfrutará dos produtos e serviços da cidade, aproveitando sua gastronomia, transporte e o entretenimento do local.
É quase que indissociável pensar em turismo e não remeter no mesmo instante no que diz respeito à viagem. Os mesmos autores dizem que: “sempre que falamos em turismo associamos a viagem, aos deslocamentos humanos de uma localidade (cidade, país ou região) a outra.” (ibidem, p.9).
Entendendo o turismo pela sua dinamicidade, com atividades benéficas ao centro receptor, é que verdadeiramente constata-se que o turismo possui traços bem singulares. É o que diz Alecrim (2007):
Sendo uma atividade econômica terciária, o turismo caracteriza-se por uma série de serviços que são oferecidos aos visitantes (turistas) e que atuam de forma integrada entre si de modo que a inexistência ou deficiência de um deles pode impedir ou dificultar a prestação dos demais serviços por muitas vezes inviabilizando a atividade. (p.14)
Turismo é uma atividade de caráter social, pois leva de encontro uma corrente massiva a um determinado núcleo receptor, onde esta pessoa e/ou grupo acabam se relacionando com a comunidade autóctone onde há uma interação entre ambos, trocando experiências e mostrando seus costumes. De caráter econômico, pois essa indústria gera a maximização dos lucros e o efeito multiplicador na localidade visitada e cultural, pois desperta o interesse do turista de conhecer tal localidade e suas peculiaridades como a gastronomia, sítios históricos, suas tradições e tudo que remete a identidade daquela localidade (MONTANER, 2001).
Assim sendo, é desejável que todos os atores de uma sociedade organizada côngruam em prol de um turismo participativo e inclusivo a todos, sobrepondo-se ao lado comercial, onde a satisfação e o prazer se fundem com a cortesia inclusive em seu alojamento suprindo e superando suas ânsias e desejos (MCINTOSH, 1997 apud BENI 2006).
Beni (2006 p.25) relata que: “No turismo pode-se imaginar, a priori, que tanto a área estatal como a empresarial têm como objetivo real o lucro”. Ele ainda complementa dizendo que:
A viagem é um movimento externo e interno para o turista. Externo porque ele se desloca no espaço físico e no tempo. Interno porque seu imaginário instiga sua intelectualidade e seu emocional, preparando-o para vivenciar experiência únicas, muitas vezes inusitadas na relação do desconhecido e do diferente (p.37).
Dentro das abordagens apresentadas é notório que o turismo essencialmente trata da locomoção ou deslocamento, onde o turista em busca de outro destino se transporta de um lugar para outro em geral a procura de novos conhecimentos, enriquecimento de informações, saciando sua curiosidade e interesse a uma determinada localidade, essa procura pelo novo e a vontade de conhecer novas culturas, paisagens e lugares trará experiências memoráveis para o mesmo.
Conclui-se que através de uma definição que leve em consideração tudo o que foi dito, não seria melhor se não o conceito elucidativo de De La Torre (1992) apud Barreto (2002) o turismo é um fenômeno social que consiste no deslocamento voluntário e temporário de indivíduos ou grupos de pessoas que, fundamentalmente por motivos de recreação, descanso, cultura ou saúde, saem do seu local de residência habitual para outro, no qual não exerçam nenhuma atividade lucrativa nem remunerada gerando múltiplas inter-relações de importância social, econômica e cultural.
Haja vista tais considerações compreende-se que o turismo mesmo sendo uma atividade recente no mundo, é um dos fortes propulsores da economia e aquelas localidades que precocemente estão preparadas para oferecer e ofertar a atividade turística, seguramente terão um maior e melhor êxito em seus futuros empreendimentos.
Olhando cientificamente, vê-se que para a atividade turística é necessário um melhor conhecimento e interação da população, em específico das nações menos desenvolvidas com a atividade. É preciso que os gestores estejam preparados e que se deixe de pensar que tal atividade pode ser operacionalizada de qualquer forma, sem um bom planejamento turístico.
A definição para Hall (2004), dentro deste tocante de planejamento turístico, transpassa que:
O turismo é visto como uma indústria que pode ser usada como ferramenta pelos governos para atingir determinadas metas de reestruturação e crescimento econômicos, geração de empregos e desenvolvimento regional por meio de provisão de sentidos financeiros, pesquisa, marketing e auxílio na divulgação.(p.47)
Conclui-se então que o poder estatal deve levar a sério e incentivar essa operação de planejamento no turismo com seriedade, responsabilidade e transparência no repasse das verbas destinadas a tal, e isso se maximizará se também o setor privado visar além do lucro à sustentabilidade e inserção social.
Como já foi dito o turismo é uma atividade que engloba várias áreas distintas que se complementam para a fluência da operacionalidade. Contudo também seja por esse mesmo motivo que não exista escassez de conceitos quanto ao mesmo. É válido salientar que existam sempre dois núcleos, um emissor e um receptor, que sempre gerará um efeito multiplicador, em diversas cadeias da economia. (BOITEUX, 2002).
O termo turismo é sinônimo de viagem para a grande maioria das pessoas, no entanto turismo vai além destas viagens. De acordo com Troisi (1942) apud Barretto (2002, p. 11) sua interpretação acerca do turismo consiste em: “Conjunto de viagens temporárias de pessoas, motivadas por necessidades de repouso, de cura, espirituais ou intelectuais”. Nesta concepção fica claro que turismo e viagem são indissociáveis. A viagem é o elemento indispensável na atividade turística, ela deve ter seu tempo de permanência pré-estabelecido e tem como intuito o descanso físico e psíquico do indivíduo.
Dentre os vários conceitos encontrados no que se diz respeito ao turismo mesmo sendo insuficientes para o total esclarecimento das peculiaridades que envolvem o fenômeno turístico, de acordo com Barretto (2002, p.09): “A partir do momento em que começaram os estudos científicos do turismo, muitas definições têm sido dadas, tanto para o turismo quanto para o turista”.
As muitas definições de turismo e os vários autores que trabalham o assunto demonstram claramente a magnitude e extensão desse fenômeno que é impossível expressá-lo com uma única configuração e universalidade.
Uma das certezas que se tem sobre o conceito de turismo é que todo seu entendimento se dá de forma bastante complexa. É o que podemos constatar com as palavras de Annals (vol 18, n.1) a respeito das pesquisas de turismo: “respeite as pesquisas de turismo por aquilo que ela é – um campo de especialização tão complexo quanto o gerenciamento de um hotel ou um evento internacional importante.”
Goldner (1991, p.41) complementa dizendo “a publicação de pesquisas é o caminho para viagens, recompensa financeiras, promoções, prestigio e ofertas de emprego.” Isto significa, que antes de tudo, a respeito das teorias do turismo é preciso entender que tais considerações devem sempre estar atreladas as pesquisas pois tais irão beneficiar todo o trade, já que tal atividade é permanentemente mutante.
No cenário atual é cabível pensar no turismo multiplicando a velocidade de informação existente hoje no mercado. A acessibilidade aliada a uma gama de transporte que se intercalam interna e principalmente externamente propiciam um desafio em função de qualquer setor global. Loocwood (2003), explica isso:”o turismo não pode evitar ser afetado pela globalização”.
O quanto maior for à indagação acerca do conceito do turismo, maior será a certeza de que essa definição não é apenas uma definição científica e nem uma questão industrial. Isso é o que concretiza Boullon (2002, p. 37): “o turismo não é uma ciência nem uma indústria, com ou sem chaminés, e ele foi situado como pertencente ao setor terciário”.
O autor ratifica ainda que: “o turismo é conseqüência de um fenômeno social cujo ponto de partida é a existência do tempo livre e o desenvolvimento dos sistemas de transporte” (p.37). Isto significa que o presente proposto a respeito teórico quanto ao turismo visualiza um cenário que favorece o planejamento constante e cuidadoso do espaço turístico em função das práticas já utilizadas pelos sistemas de turismo.
Segundo a definição da OMT (1994) apud Sancho (2001), constata-se que o turismo abrange motivações diversas com uma questão temporária pré-determinada, juntamente a uma ação relativa à atividade desenvolvida neste período, tudo isto configurando-se fora do seu entorno de moradia e demais localidades que freqüenta.
Outra definição bastante significativa é a de Herman (1910, p.23), que apesar de bem antiga se mostra mais atual do que nunca. O economista diz que o turismo é :
A soma das operações, especialmente as de natureza econômica, diretamente relacionadas com a entrada, a permanência e o deslocamento de estrangeiros para dentro e para fora de um país, cidade ou região.
Esta segunda definição potencializa a atividade e ao mesmo tempo prova que o turismo é uma atividade intersetorial, geradora de divisas e que essencialmente depende do fator de conhecimento e locomoção á um outro local que não faz parte da sua vida cotidiana para que assim se configure com em sendo o turismo propriamente dito.
Contemplando a percepção anterior sobre o turismo, ele pode ser entendido como movimentos que rompem a rotina do cotidiano, oferecendo novos cenários, abrindo novos horizontes e proporcionando intercâmbio cultural (CAMPOS E GONÇALVES, 1998).
São serviços organizados prestados ao turista por profissionais qualificados e habilitados a desenvolverem essa atividade. O que se entende ainda sob considerações dos autores mencionados, é que o turismo é o deslocamento prévio com necessidades que não de trabalho, levando em conta o tempo de estada, que é de mais de vinte e quatro horas e menos de noventa dias.
É quase que indissociável pensar em turismo e não remeter no mesmo instante no que diz respeito à viagem. Os mesmos autores dizem que: “sempre que falamos em turismo associamos a viagem, aos deslocamentos humanos de uma localidade (cidade, país ou região) a outra.” (ibidem, p.9).
Entendendo o turismo pela sua dinamicidade, com atividades benéficas ao centro receptor, é que verdadeiramente constata-se que o turismo possui traços bem singulares. É o que diz Alecrim (2007):
Sendo uma atividade econômica terciária, o turismo caracteriza-se por uma série de serviços que são oferecidos aos visitantes (turistas) e que atuam de forma integrada entre si de modo que a inexistência ou deficiência de um deles pode impedir ou dificultar a prestação dos demais serviços por muitas vezes inviabilizando a atividade. (p.14)
Assim sendo, é desejável que todos os atores de uma sociedade organizada côngruam em prol de um turismo participativo e inclusivo a todos, sobrepondo-se ao lado comercial, onde a satisfação e o prazer se fundem com a cortesia inclusive em seu alojamento suprindo e superando suas ânsias e desejos (Mcintosh, 1997 apud Beni 2006).
Beni (2006 p.25) relata que: “No turismo pode-se imaginar, a priori, que tanto a área estatal como a empresarial têm como objetivo real o lucro”. Ele ainda complementa dizendo que:
A viagem é um movimento externo e interno para o turista. Externo porque ele se desloca no espaço físico e no tempo. Interno porque seu imaginário instiga sua intelectualidade e seu emocional, preparando-o para vivenciar experiência únicas, muitas vezes inusitadas na relação do desconhecido e do diferente (p.37).
Dentro das abordagens apresentadas é notório que o turismo essencialmente trata da locomoção ou deslocamento, onde o turista em busca de outro destino se transporta de um lugar para outro a procura de novos conhecimentos, enriquecimento de informações, saciando sua curiosidade e interesse a uma determinada localidade, essa procura pelo novo e a vontade de conhecer novas culturas, paisagens e lugares trará experiências memoráveis para o mesmo.
Conclui-se que através de uma definição que leve em consideração tudo o que foi dito, não seria melhor se não o conceito elucidativo de De la torre(1992) apud Barreto (2002) o turismo é um fenômeno social que consiste no deslocamento voluntário e temporário de indivíduos ou grupos de pessoas que, fundamentalmente por motivos de recreação, descanso, cultura ou saúde, saem do seu local de residência habitual para outro, no qual não exerçam nenhuma atividade lucrativa nem remunerada gerando múltiplas inter-relações de importância social, econômica e cultural.
Haja vista tais considerações compreende-se que o turismo mesmo sendo uma atividade recente no mundo, é um dos fortes propulsores da economia e aquelas localidades que precocemente estão preparadas para oferecer e ofertar a atividade turística, seguramente terão um maior e melhor êxito em seus futuros empreendimentos.
Olhando cientificamente, vê-se que é necessário um melhor conhecimento e interação da população, em específico das nações menos desenvolvidas com a atividade. É preciso que os gestores estejam preparados e que se deixe de pensar que tal atividade pode ser operacionalizada de qualquer forma, sem um bom planejamento.
A definição para HALL (2004), dentro deste tocante de planejamento turistico, transpassa que:
O turismo é visto como uma indústria que pode ser usada como ferramenta pelos governos para atingir determinadas metas de reestruturação e crescimento econômicos, geração de empregos e desenvolvimento regional por meio de provisão de sentidos financeiros, pesquisa, marketing e auxílio na divulgação. (p.47)
Conclui-se então que o poder estatal deve levar a sério e incentivar o mesmo com seriedade, responsabilidade e transparência no repasse das verbas destinadas a tal, e isso se maximizará se também o setor privado visar além do lucro à sustentabilidade e inserção social.
Várias são as definições mensuráveis para o turismo, até mesmo por que como já foi dito é uma atividade que engloba várias áreas distintas que se complementam para a fluência da operacionalidade. Contudo também seja por esse mesmo motivo que não exista escassez de conceitos quanto ao mesmo. É válido salientar que existam sempre dois núcleos, um emissor e um receptor, que sempre gerará um efeito multiplicador, em diversas cadeias da economia. BOITEUX (2002).
O termo turismo é sinônimo de viagem para a grande maioria das pessoas, no entanto turismo vai além de viagens. De acordo com Troisi (1942) apud BARRETTO (2002, p. 11) sua interpretação acerca do turismo consiste em: “Conjunto de viagens temporárias de pessoas, motivadas por necessidades de repouso, de cura, espirituais ou intelectuais”. Nesta concepção fica claro que turismo e viagem são indissociáveis. A viagem é o elemento indispensável na atividade turística, ela deve ter seu tempo de permanência pré-estabelecido e tem como intuito o descanso físico e psíquico do indivíduo.
Diversos são os conceitos encontrados no que se diz respeito ao turismo, insuficientes para o total esclarecimento das peculiaridades que envolvem o fenômeno turístico, devido a sua complexidade, que de acordo com Barretto (2002, p.09): “A partir do momento em que começaram os estudos científicos do turismo, muitas definições têm sido dadas, tanto para o turismo quanto para o turista”.
As muitas definições de turismo e os vários autores que trabalham o assunto demonstram claramente a magnitude e extensão desse fenômeno que é impossível expressá-lo com uma única configuração e universalidade.
2.2 História do turismo
É bem antiga a história do turismo na humanidade. De acordo com Goeldner (2002) ela iniciou-se aliada a invenção do dinheiro e posteriormente o desabrochar do comércio. Isto tudo se deu acerca de 4000 a.c pelos sumérios, que também são os inventores da escrita e da roda (responsável pelas primeiras formas de transportes aliadas a animais).
Ou seja, o turismo na humanidade vem desde há muito tempo fazendo parte da vida das pessoas, mesmo que não estudado ou entendido desta forma que foi auxiliado pela evolução dos ainda rústicos meios de transporte.
Logo após esta grande evolução, o mesmo introduziu outros serviços complementares como o de guias turísticos a estas viagens, ainda permitindo que as viagens ficassem bem mais acessíveis para as populações de meio padrão na época.
Os primeiros cruzeiros surgiram no Egito e tinham o propósito de paz. Descrições desta viagem estão entre as obras de arte mais raras do mundo. Já em 2700 a.c, os faraós do Egito, usando pedras extraídas do rio Nilo começaram a erguer a grande esfinge e o complexo de pirâmides. Começara então as visitações intensas e isto ficou documentado através de assinaturas e rabiscos deixados por estes visitantes (GOELDNER, 2002).
Complementando a idéia de Goeldner, os viajantes procuravam em suas viagens algum motivo para chegar ao destino desejado, outros viajavam a procura de melhores condições de vida, para sua própria subsistência, desejos políticos, viagens com necessidades comerciais, de negócios e desejos de descanso entre outros.
Nos tempos remotos antigos notou-se que as pessoas que se deslocavam para outras localidades mencionavam suas experiências de viagem de alguma forma para que posteriormente comprovassem que estiveram em tal localidade. (MONTENER, 2001)
Estes primeiros relatos de turismo mesmo que “desinteressados”, guardavam na verdade um segmento: o turismo de compras, pois tais viajantes adquiriam barganhas e especiarias para amigos familiares.
Graças à invenção da roda, a as carroças podiam ser puxadas pelos animais mesmo que as poucas estradas existentes ainda não oferecessem boas condições de tráfego e os que se destinavam a seguir por tais eram especialmente: funcionários do governo, os Assírios (povo bastante guerreiro) assim como os romanos.
Isto quer dizer que as estradas melhoram em função do uso militar e quem detia o uso dessas mesmas estradas eram as populações mais ricas.
Logo em seguida os romanos acerca de 150 a.c melhorariam as condições das estradas, algumas até hoje ainda usadas, isto daria condições ao imperador Trajano que reinou de 98 a 117 d.c estender os limites com a Escócia e a Alemanha, até as margens do mar mediterrâneo.
Segundo o autor deveras citado Goeldner, a Grécia e a Ásia menor eram as principais cidades turísticas enquanto destino, pois ofereciam além dos tão famosos jogos olímpicos, banhos medicinais, teatro, festivais e diversas formas de entretenimento. Toda essa gama de variedades de lazer criou a necessidade de uma demanda de hospedagem e de guias turísticos, criando um marco na historicidade do turismo.
A rota da seda foi descrita mesmo com definições questionáveis até hoje, como sendo a primeira ligação comprovada entre oriente e ocidente e Marco Polo que viajou da Itália a China no século XIII descreveu mesmo que por vezes ficticiamente, relatos de 3 uma rota turística.
O autor cita ainda que no século V, Atenas se desenvolveu como atração turística, o Partenon era um dos prédios mais visitados pelos viajantes e que os fenícios desde 800 a.c, já haviam construído uma sólida rede comercial no mar mediterrâneo seguidos pelos gregos.
Goeldner (2002) afirma que no século XIV, as instalações antes tabernas sujas e inóspitas começavam a evoluir, agora casas e castelos, ofereciam além do quarto, remédios, roupas limpas e outros.
Em 1282 surgiu o movimento de viajantes, os proprietários das pousadas de Florença que se reuniam com a finalidade de transformar a hospedagem em uma ação comercial. Já no século XVI é criado o turismo moderno, é neste período que surgem os centros de férias (MONTANER, 2001).
Segundo compreensões extraídas da literatura de Montaner desde os primórdios encontramos organizadores de viagens e uma gama de pessoas que desfrutam desta prazerosa atividade, visto que as condições eram difíceis como também limitadas para uma pequeno grupo de pessoas.
Já a Grand Tour, que inicio-se nos séculos XVII e XVIII foi a primeira forma organizada de viagens com horários e preços definidos, e os primeiros viajantes eram especialmente empresários, diplomatas e estudiosos (GOELDNER, 2002).
As teorias abordadas por Montaner e Goeldner levam a um marco na história da evolução do turismo organizado com viagens agenciadas que foi a primeira grande viagem idealizada por Thomas Cook em 1841. O aluguel de um trem juntamente com a revenda de bilhetes era o início das excursões organizadas.
Essa mistura de viagem e cultura deu origem ao termo “grand tour” que se constituiu no símbolo da educação para os jovens aristocratas ingleses. Os jovens realizavam essas grandes viagens por motivos exclusivamente educacionais e também com espírito aventureiro. A viagem para os jovens da nobreza significava parte da educação, viajar correspondia conhecimentos, experiência pessoal (MONTANER, 2001).
Pensando em atender a demanda desses viajantes que se deslocavam a qualquer negócio, seja por prazer ou por trabalho, são criados locais no próprio percurso e nas cidades visitadas centros de acolhimento (ibidem).
Com a chegada da revolução industrial, muita coisa mudou, porém tal atividade era contemplada apenas por uma camada muito rica da sociedade que podia usufruir da evolução dos meios de transporte. Lickorish e Carson (2000), dizem que: “A expansão do turismo com o crescimento da população e o aumento da riqueza do século XVIII foi estimulada por determinantes clássicos da demanda – lazer, tempo, dinheiro e interesse – ou o que é agora denominado preferência do consumidor”.
A revolução industrial que teve início na Inglaterra foi um marco importante para a transformação econômica e social, que surgiu novos gostos e necessidades da classe. Melhorias no transporte e surgimento de máquinas eficientes foram de suma importância para aumentar o prazer das pessoas em sair do seu local de referencia para visitar uma série de lugares de seu interesse ou agrado, viajar por prazer.
Os supracitados autores conceituam o período entre guerras, que foi um período negro para a história do turismo na evolução da humanidade no que diz respeito a atividade turística propriamente dita. Mas se visto por outro ângulo foi nesta mesma época em que os automóveis se desenvolveram e a tecnologia chegava às rodovias e principalmente a aviação, sobretudo a atividade praticamente ficou inércia e estática devido não só a primeira guerra, acerca do ano de 1930 e alguns anos depois de 1939 a 1945 com a tenebrosa segunda guerra mundial.
Segundo os autores mencionados, a “decolagem” no turismo é considerado a partir de 1945 no pós guerra, justamente dentre vários fatores a mudança no comportamento das sociedades e nos seus estilos de vida. Em países da Europa esse aumento do fluxo da atividade obteve percentuais incomparáveis e muito significativos. Nestes países industrializados a população começou a viajar mais, e o segmento de viagens a lugares mais distantes foi se tornando algo bem mais comum.
Daí em diante, só houve crescimento sendo apenas um pouco ofuscado por manifestações climáticas e algumas recessões políticas. Porém até então o turismo nunca tinha sido encarado como uma força econômica industrial e a população das nações mundiais só tiveram noção da relação do custo benefício que a atividade promovia com a crise instaurada pelo conflito do Golfo Pérsico no ano de 1990.
Por fim, os mesmos autores subsidiados por outros cientistas informam que no século XX, o marketing foi um poderoso instrumento de auxílio ao turismo em seus mais diversos patamares de cadeia produtiva, sobretudo alerta que esse mesmo instrumento poderoso que é o marketing para o turismo fragiliza a atividade por englobar o produto e a sua apresentação no que diz respeito à garantia do crescimento permanente em sincronia com os recursos humanos e naturais.
2.3 Contextualizando Atrativo Turístico
Com percepções trazidas do capitulo anterior, o turismo passa a ser compreendido como a força motriz que desperta desejos e razões fazendo com que as pessoas se interessem em saber da história e cultura de um determinado local. O site da Sindegtur ratifica dizendo que atrativo turístico pode ser entendido como “todo lugar, objeto ou acontecimento de interesse turístico que motiva o deslocamento de grupos humanos para conhecê-los”. Isto deixa evidente que turismo e o atrativo estão intimamente ligados, a função empregada ao atrativo é de motivar o turista a realizar sua viagem.
O atrativo turístico é um dos elementos que compõe a oferta turística, fazendo-se necessário o auxilio de outros componentes como os serviços turísticos, os serviços públicos e a infra-estrutura básica para a obtenção do produto turístico, não sendo proveitoso para o turismo esses elementos trabalhados separadamente, pois quando o turista vai em busca de conhecer um atrativo é imprescindível que exista o conjunto para que seu consumo seja de forma satisfatória.
Contudo, os cientistas mais contemporâneos entendem que o atrativo turístico não se limita a locais existentes na natureza ou criados pelo homem e sim vai além do tangível. Isto está confirmado na afirmação de Boullón (2002, p.112): “no espaço natural se entremesclam outras espécies de atrativos, como os sítios arqueológicos, os grupos étnicos, as represas ou algumas festas religiosas ou profanas”.
A fim de diminuir esta subjetividade que é aplicada ao valor que o turista dá para o atrativo turístico a Organização dos Estados Americano - OEA divide os atrativos em quatro hierarquias, onde utilizando deste método o Instituto Brasileiro de Turismo – EMBRATUR, para uma melhor avaliação destes atrativos dividiu então em naturais e culturais onde são classificados em tipos e subtipos e observados as características e fatores de cada atrativo.
Segundo o conceito aplicado pela Organização Mundial do Turismo - OMT para usufruir dos atrativos naturais é necessário o uso de serviços de apoio para sua melhor operação, porém, segundo o mesmo referido existem problemas sérios na forma e conteúdo destes serviços onde por muitas vezes, a mensagem é difusa ou errônea.
O atrativo turístico está ligado ao motivo da viagem do turista e ao valor que é empregado a esses elementos, valor este de caráter subjetivo. De acordo com Ignarra (1998, p 47): “O conceito de atrativo turístico é complexo, dado que a atratividade de certos elementos varia de forma acentuada de turista para turista.” Onde determinado atrativo será mais atraente para certo grupo não encantando outro, o que faz-se necessário empregar um diferencial para o atrativo com o intuito de instigar a curiosidade dos visitantes.
A principal função a que se dispõe um atrativo turístico é a motivação e contemplação do turista, o viajante não deve perceber os vários complexos componentes existentes dentro deste ambiente. Prioritariamente o turista deverá apenas vislumbrar a beleza do local, sem perceber questões burocráticas operacionais.
Basta pensar em atrativo para se pensar em viagem, turismo e lazer. A princípio, o turista viaja e deseja conhecer algum lugar, devido aos seus atrativos naturais. Goeldner (2002,p.150) diz: “os atrativos naturais são a mola propulsora que leva as pessoas a viajar”.
Assim, fica comprovado que devido aos atrativos dispostos em alguma localidade o turista define sua decisão e escolhe o que de melhor pode existir em função de suas necessidades.
Além dos atrativos naturais, o autor por hora mencionado indica a existência dos atrativos patrimoniais, os de lazer, os comerciais e os industriais cada um com sua especificidades.
Quando se pensa em atrativo turístico, o que se vem instantaneamente na cabeça são as belezas naturais, os restaurantes, as grutas, paisagens, jardins e demais, sobretudo os centros de entretenimento vem se tornando um poderoso aliado do setor (ibidem, p.151).
As principais vertentes atrativistas em diversos países do mundo são os parques temáticos e a indústria do jogo. São exemplos disto os grandes parques de diversões como a Disneylândia e o complexo de casa de jogos em Las Vegas.
O que Goeldner (2002) quer dizer é que através do tempo houveram modificações no anseio motivacional do turista. Segundo o autor, ainda existe uma nova tendência que está cada vez mais forte que trata-se da junção dos parques temáticos aos shoppings centers. E o exemplo está no complexo comercial de Esmonton no Canadá e no Mall of América em Minnesota. O autor em suas considerações deixa entender que provavelmente este novo tipo de atrativo será muito utilizado pelos novos empreendedores do setor no Brasil.
2.4 Contextualizando Transporte
Para se inserir em qualquer roteiro é necessário uma locomoção para se chegar até o atrativo turístico desejado é oportuno o uso de um meio de transporte que fará a deslocamento do seu local de moradia até o atrativo que se espera desbravar.
Segundo o dicionário online Priberam da Língua Portuguesa, transporte é definido pelo: “Ato ou efeito de transportar ou de transporta-se”. Já os meios de transporte são entendidos como: “tudo aquilo que serve para nos deslocarmos de um lugar para outro (automóvel, autocarro, avião, comboio, metro, táxi, etc).” O que deixa claro que independente do veículo utilizado para se locomover de um ponto a um determinado local o meio de transporte é essencial para tornar possível este movimento (do ponto de partida ao final). Pode-se ratificar este conceito com a ajuda do dicionário Aurélio Online que diz que transporte é: “Ato ou efeito de transportar”. Complementando ainda esta definição: “Condução. / Veículo próprio para transportar tropas, munições, cargas.” Mostrando que a condução utilizada deve ser especifica para situação, grupo de pessoas, tipo de viagem, distância que vai de um destino a outro.
É a locomoção de algo ou alguma coisa de um local a outro. É isto que se entende pela definição de Aulete (2004) que diz que transporte é : “ação ou resultado de transportar” ou ainda que é: “qualquer veículo aéreo, usado para transportar pessoas ou coisas”.
Para se transportar algo ou alguém se faz necessário o uso de veículo seja ele aéreo, rodoviário e/ou marítimo, sua utilização garantirá a locomoção de um ponto a outro.
2.4.1 Modalidade dos Transportes
Segundo De La Torre (2002) os meios de transportes podem ser aquáticos, aéreo e terrestres. O mesmo diz que quanto ao transporte aquático pode ser fluvial ou lacustre, quanto ao aéreo, podem ser regulares ou fretados particulares ou helicópteros e quanto aos terrestres dividem-se em trens, ônibus, carros, trailers, motos e bicicletas.
“Os veículos rodoviários modernos, principalmente o automóvel e o ônibus, assim como o avião, proporcionaram que o turismo se desenvolvesse como atividade acessível a um número cada vez maior de pessoas” (PALHARES,2002,p.185).
Com a introdução dos meios de transportes no mundo a atividade turística acabou sendo beneficiada, pois pode garantir que uma grande demanda se locomovesse de um lugar a outro de forma mais fácil, ágil, confortável e segura.
2.4.2 História dos Transportes
A primeira forma que se conhece a respeito de transporte sugere que esta locomoção se dava a pé, em animais de carga, em barcos não muito seguros ou confortáveis e em veículos ainda provincianos com rodas (YOUNG, 1973 apud GOELDNER, 2002).
De acordo com percepções de Goeldner (2002), as diligências foram o principal motivo propulsor das primeiras formas de turismo. No século X este serviço já existia e contava com rotas previamente definidas. E o local de apoio para descanso e acomodação desses viajantes eram as tabernas. Os britânicos foram precursores deste segmento.
Por volta de 1772, Goeldner esclarece que embarcações comerciais já existentes transportavam não só mercadorias, mas também passageiros, mais uma vez, cidades britânicas viriam a se destacar. Somente em 1815 os barcos a vapor começaram a funcionar e se popularizar a ponto de na época existir publicação semanal de uma revista dedicada a este segmento.
Os ingleses também foram os idealizadores das primeiras ferrovias em torno de 1825 e cinco anos mais tarde começariam o transporte regular de passageiros. Apesar de seus idealizadores não acreditarem no seu sucesso as viagens de trem cresceram e devido ao seu baixo custo, se tornou acessível a todas as camadas da sociedade inglesa. No período entre 1826 e 1840 foram construídas as primeiras ferrovias nos EUA, segundo afirmações do mesmo autor.
Por volta de 1908, o “tin lizzy”, foi inventado por Henry Ford nos EUA. O autor completa explicitando que este fato revolucionou as viagens do país forçando melhores condições das vias e estradas. Os próprios donos de automóveis particulares iniciariam as primeiras tourists courts entre os anos de 1920 e 1930.
Seguindo a linha de raciocínio de Goeldner, os serviços de vôos regulares começaram na Alemanha. Já no Estados Unidos, a primeira companhia aérea a surgir foi a Varney Airlines, onde realizava correios aéreos regulares. O país teve sua primeira rota de correio em 1927, onde foi ofertado pela Pan American Airways. Essas companhias aéreas internacionais foram crescendo gradativamente e seus serviços alcançando outros destinos. O sistema de transporte aéreo foi bruscamente interrompido pela segunda guerra mundial que quando terminara acabou por influenciar numa melhoria dos modelos de aviões, criando boings e jatos, para cada vez mais atingir de uma forma mais confortável eficiente as necessidades dos passageiros.
A década de 40 foi decisiva para o setor pois neste período que foi criado o desenvolvimento do tráfego paga de passageiros. Vale ressaltar que o transporte aéreo é uma das modalidades mais utilizadas dentro do segmento turístico até os dias de hoje, porque consegue encurtar distâncias longas em um curto espaço de tempo.
2.4.3 História do Transporte Rodoviário
Desde a pré-história, mais especificamente na “era do fogo”, estudos indicam que o homem já desenvolvia algum tipo de transporte organizado afinal eles tinham a necessidade de locomover as pedras do fogo para onde eles abrigavam-se no momento. Esta característica se evoluiu até o inicio das sociedades organizadas (PALHARES,2002).
Esta afirmação implica numa modesta forma de veiculo mesmo que ainda enquanto forma de subsistência e não captado ainda pela plena inteligência do homem que viria a desenvolver tais meios logo em seguida.
Os mesmos estudos indicam que o primeiro tipo de transporte terrestre foi o trenó que era confeccionado com troncos de árvores. Estes primeiros vestígios surgem na Finlândia por volta de 4.000 a.c.. Logo após o uso de animais como cão, cavalo, rena, burro, camelo, etc, foram responsáveis pelo inicio dos transportes de cargas e finalmente a invenção da roda aconteceu na Mesopotâmia antes de 3.000 a.c. Sólida, pesada e rudimentar foi adicionada a carros tradicionais por animais de grande porte (DI RONÀ,2002).
Nesta etapa de evolucionismo do homem relativo aos meios de transporte houve uma considerável evolução e o uso de diversos animais contribuiu para isto e não menos
importante a invenção da roda daria uma nova guinada na historicidade, em especifico dos rudimentares transportes terrestres.
Inventos criados no fim do século XIX podem ser considerados como os precursores do automóvel e posteriormente dos ônibus. Já no século XX, o termo “vaca sagrada”, seria utilizado para definir a igualdade de condições perante o já considerado transporte ferroviário (BOULLÓN, 2002).
Ainda segundo o autor:
O ônibus é o meio de transporte fundamental para a organização de viagens turísticas por estrada, tanto em seus tamanhos normais que oscilam entre 12 e 15 metros como os microônibus que são utilizados, em regra geral, para trajetos curtos, de transfer ou de aluguel para viagens turísticas particulares (p. 203).
Referido ao século XIX cujo foi o que obteve uma melhoria gradativa quanto às evoluções alcançadas, junto à tecnologia progressiva, o ônibus segundo o autor tem uma importância bastante considerável porque segmenta e diversifica o aluguel de viagens.
A história do ônibus está intriscita a dos carros e caminhões, pois, surgiram em meados do final do século XIX e inicio do século XX. Há registros que afirmam que o primeiro ônibus patenteado surgiu na França em 1887, porém ele só viria se tornar mais utilizado com vários fins a partir de 1910 (DE LA TORRE, 2002).
No início os ônibus na cidade do México, por exemplo, transportavam de 6 a 8 pessoas e atingiam a velocidade máxima de 8 km/h. Estes transportes realizam diligências, até posteriormente se incorporarem a regiões e área mais urbanizadas atingindo metade da frota existente (ibidem, p. 68).
O mesmo autor afirma ainda que, os países que sempre obtiveram larga tradição na produção de ônibus e demais veículos incluindo caminhões são: EUA, Japão, Alemanha, ainda ocidental, França, Reino Unido, Itália, Canadá, a antiga RSS, Espanha e o Brasil que ocupa o 11º lugar neste ranking.
O que é muito importante a se considerar quanto à origem dos chamados ônibus é a distinção entre ônibus comum que é aquele que se destina ao transporte de passageiros com intinerário fixo num espaço urbano ou interurbano e o ônibus de excursionismo que é aquele que se encaixa ao turismo e destinado a trajetos longos e é personalizado (BOULLÓN, 2002).
Quando ao ônibus de excursão, sua utilização em geral é planejada com antecedência no início das temporadas de alta estação. Outra característica bastante singular é que por muitas vezes os donos dessas pequenas frotas trabalham sempre para as mesmas operadoras (DE LA TORRE, 2002).
O autor complementa sua definição explicitando que, esses ônibus oferecem um maior conforto, pois, os passageiros podem vir a passar bastante tempo neles. De certo estes ônibus voltados ao turismo precisam de uma demanda para acontecer, pois, eles ressaltam determinados atrativos e por conta disso pode sofrer algum encargo a mais.
Tais visitações realizadas através dos ônibus de turismo podem ser radical, ou seja, ao redor da cidade, regional, local e ou até mesmo em continente, daí a necessidade destes veículos possuírem: ar-condicionado, bar, banheiro, revistas, etc, explica o autor.
2.4.4 Modalidades do Transporte Rodoviário
Dentro do sistema de transporte rodoviário, existem duas modalidades: o regular e o reservado que trazem diferenças quanto a sua conduta de ação. Isto está claramente definido nas palavras de Boullón (2002) que os diferencia da seguinte forma: “a linha de transporte regular é aquele que não está sujeito a calendário, horário e itinerário fixos”.
E o que pode-se entender sobre isto é que no transporte regular o consumo em geral, é urbano ou metropolitano, entre municípios ou ainda entre países como acontece na Europa.
O transporte rodoviário conta com uma infra-estrutura adequada para tal como terminais, escritórios para reserva e vendas etc, já no transporte reservado, a periodicidade está intríscita e conta com serviços complementares como: hospedagens, guias e paradas estratégicas a pontos turísticos (DE LA TORRE, 2002).
Com base em relatos do autor, no que tange ao turismo, o transporte rodoviário, pode se dar em duas modalidades, porém o transporte regular serve somente para o deslocamento e no transporte reservado ele abrange valores culturais como por exemplo a informação prestada por guias turísticos em relação a história dos atrativos, aproveitando ainda certas vantagens como confortos e regalias nos serviços existentes no interior dos ônibus.
O autor supramencionado diz que: “o serviço de ônibus de excursão pode ser em visita local, radial e regional ou continental”. Sendo assim entendido como no mesmo entorno, município, cidades vizinhas ou até mesmo países ou continentes próximos territorialmente.
Sendo assim bastante pertinente para o turismo a modalidade de transporte rodoviário estrutura sua importância de modo a sempre contribuir na prática do turismo mesmo que não seja o principal meio utilizado e sim de complementação, o transporte rodoviário sempre estará acoplado as outras modalidades, são exemplos desta complementação o carro, as vans, microônibus, dentre outros.
2.4.5 Importância do Transporte para o Turismo
É certo afirmar que para ser realizada a atividade turística a necessidade de um transporte se faz fundamentalista, pois para o acontecimento do mesmo é necessário o deslocamento de um local para outro. Ferreira (2006, p.22) ratifica dizendo que: “é fato, portanto, que o turismo não existe sem o transporte”. Isto leva a se crer que exista uma dependência vital do setor para o acontecimento do mesmo.
Palhares (2002) apud Ferreira (2006) diz que:
Definir a atividade de transporte, mas especificamente para o caso do transporte voltado para o turismo, o mesmo pode ser tido como a atividade meio que interliga a origem de uma viagem turística a um determinado destino (e vice-versa), que interliga vários destinos turísticos entre si (primário e secundário) ou que faz com que os visitantes se desloquem dentro de um mesmo destino primário ou secundário (p. 22).
Portanto, isto quer dizer que, além de indispensável para o turismo, os transportes se complementam para a efetivação da atividade, contemplando um maior conforto para os usuários e dando muitas vezes diferenciadas visões sobre os destinos a serem percorridos pela forma como se dá o seu itinerário e o tipo de transporte utilizado.
E mais uma vez dimensionando a importância dos transportes para o turismo, mas propriamente dito na sua especificidade, transportes rodoviários a abordagem seguinte trará uma reflexão acerca de um dos maiores terminais rodoviários da America Latina que possui curiosidades que merecem uma análise com respaldo científico.
2.5 O TIP
Segundo informações extraídas do jornal Diário de Pernambuco o Terminal Integrado de Passageiros Antonio Farias - TIP teve sua inauguração em outubro de 1986, onde passou oito anos para sua construção com a intenção de sanar os problemas dos usuários em relação ao espaço físico, conforto e acessibilidade, já que na antiga estação do bairro de Santa Rita no centro da cidade, estes problemas vinham se agravando e gerando outros constrangimentos, inclusive ao tráfego da cidade.
De acordo com informações de Ferreira (2006) por não ter um local para parar os ônibus e os mesmos ficavam dando voltas para achar uma vaga para estacionar, o antigo terminal foi desativado, pois não conseguia atender a esta demanda, agora o terminal encontra-se no Curado
Ferreira destaca que este local foi escolhido, pois não poderia interferir na circulação de veículos e também o terreno estava com um ótimo preço e foi vendido por Brennand. A rodoviária posteriormente nomeada de Antonio Farias, é situada na BR- 232 Km S/N no Curado, município de Jaboatão dos Guararapes. É uma dos maiores da América Latina e está situado a oeste do centro da cidade acerca de 15 km de distância em relação ao centro da cidade. Um dos principais portões de entrada para o Recife que detém uma área de 45 mil m² e está a 20 Km aproximadamente do bairro de Boa Viagem e 26 km da cidade de Olinda.
A estação rodoviária possui quatro pavimentos onde comporta inúmeras lojas, farmácia do Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco - LAFEPE, lanchonetes, setores de recepção e informação, e o serviço de guarda-volume. caixas eletrônicos, agência dos Correios, além de unidades para servir os transeuntes, como a unidade fixa de policia localizada no 2º piso e 68 plataformas de embarques.De acordo com a Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco - AD DIPER, a movimentação média diária de 10 mil usuários e atinge em épocas de festividades como o carnaval, natal ou são joão até 30 mil pessoas.
O TIP ainda conta com o sistema metroviário que atua nos municípios de Recife, Cabo, Jaboatão dos Guararapes e Camaragibe, presta um serviço de integração para quem quer ir aos outros municípios da Região Metropolitana do Recife onde os ônibus complementam o serviço do metrô. Outro serviço que pode ser utilizado pelos passageiros é a cooperativa de táxis que por sua vez tem seus preços tabelados.
Na mesma entrevista realizada no ano de 2008 à Eraldo Alves, o auxiliar administrativo do então gestor João Pereira responsáveis atuantes do DER (Foto 05), foi constatado pelos pesquisadores desta investigação científica um parcial estado de abandono mesmo com a insistência de alternados gestores da própria instituição que por ali passaram.
No que diz respeito à contabilização de captação do fluxo de número de turistas no estado, o terminal na época encontrava-se em um estado de certo descaso onde as catracas permaneciam danificadas, não registrando com maior precisão os referenciais parciais, que eram traçados de forma hipotética. Este controle se dava por responsabilidade do DER que utilizava funcionários da empresa de segurança - SENA para reforçar o atendimento, ou em outro momento, já havia se utilizado da empresa de Comércio e Serviços - Corpserv. Dentro deste quadro foi constatada deficiência física nos estabelecimentos dificultando o processo de vendas e comercialização dos produtos, como foi relatado pelo então administrador. Existia um paternalismo das empresas que eram sempre apadrinhadas do DER. Estas ditas não fiscalizavam corretamente o estado de conservação e manutenção do terminal.
Segundo relatos de policiais atuantes do Centro Integrado de Operações da Secretaria de Defesa Social - CIODS, o convênio com a policia não primava em seus pagamentos, os delitos eram apenas anotados no livro de ocorrências, porém a presença dos mesmos policiais no local era insuficiente. Segundo estes mesmos policiais que não quiseram se identificar com medo de represálias havia um absolutismo dos que faziam parte da policia militar e este fator não colaborava em nada para o andamento da segurança no local.
O terminal passou por algumas reformas, em 2001 por um incêndio gerado por um curto-circuito e em 2002 a reforma foi referente ao incêndio os guichês foram transformados, quiosques padronizados e os banheiros que passaram a atender pessoas com necessidades físicas, além de trocar as cadeiras, houve melhoria na iluminação e sinalização, bem como foi posto um Box de informações turísticas (Foto 08)
Segundo as informações do Auxiliar administrativo Eraldo Alves, desde outubro de 2006, o TIP vem passando por um processo de privatização onde se esperavam melhorias significativas com a futura atuação da empresa brasileira que presta serviços de gestão integrada no apoio ao transporte de passageiros e atendimento ao cidadão Sosicam.
Por outro lado segundo informações colhidas em 23 de Julho de 2009 com Marcos Silva, o auxiliar administrativo que trabalhou durante 12 anos no terminal rodoviário e que agora trabalha na sede do DER localizado na Avenida Cruz Cabugá 1033, no bairro de Santo Amaro, “a limpeza do local melhorou, porém houve um aumento dos alugueis repassado aos lojistas fundamentado na propensão de melhorias.”
Segundo Dra. Isabel profissional entrevistada ainda na sede do DER, que foi a gerente geral da área de transportes entre os anos de 1987 á 2008 (ano em que se encerraram as atividades do órgão no supracitado), a gestão interna que mais promoveu ações foi a de Zaqueu Alves que perdurou por mais ou menos 8 anos.
Neste período, descreveu Isabel, durante o carnaval havia festas semanais assim como nos folguedos juninos com concursos de quadrilhas matutas e estilizadas. Ela complementa dizendo que chegou a haver ensaios e apresentações da banda da policia militar, mas sem êxito na sua continuidade. Já o Cine TIP surgiu entre os anos de 1996 e 1997 e perdurou cerca de 4 anos.
Segundo Marcos Silva o que se espera de uma gestão privatizada que atua em diversos outros municípios seja de fato melhorias traduzidas não só a população mas aos comerciantes e lojistas que defendem seu comércio no local.
Durante a aplicação dos 100 formulários destinada aos transeuntes do TIP, realizada no próprio terminal, localidades próximas e para pessoas que conhecem e já utilizaram em algum momento à rodoviária, constata-se que quanto ao sexo 63% do público entrevistado era composto por homens e 37% por mulheres.
Para traçar o perfil dos entrevistados houve a necessidade de saber a faixa etária dos entrevistados e foi observado que 40% destinaram-se as pessoas de 15 a 25 anos, 24% tem idades entre 25 a 35, 19% compõe as pessoas de 35 a 45 anos e 17% totalizam os um grupo com mais de 45 anos.
É importante destacar que quanto ao nível de instrução foi constatado que 33% possuem o segundo grau completo, 32% possuem o superior incompleto, 20% já detém o ensino superior completo, 6% deste pessoal possuem o fundamental incompleto E 4% fazem parte do público que concluiu o ensino fundamental.
No que diz respeito à localidade de moradia, 75% relatam que moram nas proximidades da rodoviária já 25% são de outras localidades como Recife, Caruaru, Torre, Iputinga dentre outros.
Um dos pontos relevantes e reveladores da pesquisa mostram que 86% das pessoas não sentem motivação de utilizar o terminal para outros fins além das viagens e 14% garantem que vão ao TIP por alguma outra razão, onde os exemplos mais citados foram os bancos 24 horas e a farmácia. Este quadro leva a crer que algo no sentido de oferta de atrativo cultural poderia ser bem aceito pelo público que encontraria uma motivação extra para se dirigir ao terminal.
A respeito da freqüência para com o terminal rodoviário 70% faz o uso do mesmo esporadicamente, já as pessoas que o utilizam de 1 a 2 vezes ao mês assumem o patamar de 15% e as pessoas que freqüentam sempre totalizam 10% da pesquisa, em seguida vem as pessoas que utilizam o TIP de 1 a 2 vezes na semana. Como este percentual que utiliza o TIP somente de vez em quando é bem elevado, ao adotar ações de cunho artístico o terminal atrairia de certo mais visitantes, o que movimentaria o comércio existente no local sempre evitando épocas de alta sazonalidade.
Quanto ao conhecimento da realização de atividades culturais que existiram no passado do TIP, 71% responderam que não tinham noção sobre o assunto e 29% declaram que já presenciaram e/ou ouviram falar em apresentações culturais dentro do espaço como as mais lembradas que foram as apresentações juninas e de shows artísticos culturais. Este foi um dado bastante preocupante já que 75% dos entrevistados moram nas proximidades, ou seja nem mesmo os que habitam no grande entorno da rodoviária tinham conhecimento de no passado ter havido algum tipo de entretenimento cultural no local.
Quando foi perguntado aos entrevistados se o TIP poderia oferecer alguma manifestação cultural 89% afirmaram que seria interessante a inserção de atividades de cunho artístico e 11% se opuseram. Por este dado obtido entende-se que o público tem noção do espaço físico do local e de seu sub aproveitamento, já que o mesmo não se destina a nenhuma festividade, o que de certo poderia acontecer programadamente e em especial em épocas de grandes festejos no estado.
Em relação à importância do TIP como equipamento de apoio para a copa do mundo que ocorrerá em 2014, 93% dos entrevistados perceberam que o terminal é um equipamento de grande relevância para nossa cidade e para receber os visitantes. Já 7% não consideram o TIP tão importante assim. Novamente a consciência coletiva mostrou que entende que a rodoviária tem um papel fundamental dentro do processo de planejamento em prol de um evento tão significativo como é o da Copa do Mundo e que o terminal precisa se ajustar a isso.
A respeito da estrutura de recursos humanos e serviços para subsidiar a copa, 80% declararam que o TIP não possui uma estrutura adequada para recepcionar esses turistas já 20% acreditam que a rodoviária esta preparada para acolher esses visitantes. Como não poderia ser diferente o público entrevistado também em sua expressiva maioria enxerga que o TIP está bem longe de ser um local com verdadeiro suporte quanto à estruturação de prestação de serviços para com seus visitantes.
Tendo como base a análise obtida na coleta de dados aplicadas e referentes ao TIP, pode-se constatar que mais de 50% do público entrevistado possui um grau de instrução avançado e quase a maioria mora nos bairros do entorno. São exemplos: Camaragibe, São Lourenço da Mata e Curados.
O resultado da pesquisa reafirmou a instigação previamente pensada pelos investigadores de que as pessoas não se sentem motivadas de forma alguma para a visitação do terminal. Da mesma forma foi à freqüência com que utilizam o terminal ocupando 70% da totalidade, ou seja, não existe uma motivação de força maior que exerça uma atração para as pessoas com o terminal. Este motivação pode perfeitamente ser despertada através de algumas ações como a retomada de datas festivas como no São João com concurso de quadrilhas juninas, a exibição de uma Paixão de Cristo no período da Quaresma, que também já se ocasionou no terminal, assim como uma sala para exibição de filmes como era o Cine TIP que no passado não deixava de ser uma boa pedida para aqueles que iriam ter de aguardar por algumas horas para embarcar para algum outro município.
No que tange das informações do TIP enquanto atrativo cultural com uma intensa vida de manifestações artísticas o público entrevistado em sua grande maioria desconhece este fato, visto que um pequeno percentual já presenciou a vida ativa e pulsante no que se refere às atividades que existiam no passado do terminal.
Assim sendo seria bem oportuno a idealização de uma espaço lúdico instalado dentro de um dos diversos pisos livres que a rodoviária dispõe, para se expor um acervo acerca da história do TIP com a descrição da vida e legado de Antonio Farias juntamente a fotos e depoimentos de diferentes momentos do terminal rodoviário.
Quando exposto o fato da importância da rodoviária como equipamento de apoio ao turismo para a Copa, a maior parte do pessoal entrevistado garante que o TIP é um dos portões de entrada da nossa cidade e é de fato um equipamento de apoio de grande relevância. Porém o terminal não tem uma estrutura cultural fixada para que o TIP se fortaleça e transpasse a imagem de representação da rica cultura que o estado possui.
3 CONCLUSÃO
O TIP é um dos principais portões de entrada do Recife e para os demais municípios do estado. Pela sua imponência e seu valor histórico e cultural, se faz importante o resgate do passado do terminal para a construção de um futuro, futuro este que visa apresentar o TIP como atrativo turístico e cultural de Pernambuco, tendo assim seu merecido destaque dentre os inúmeros atrativos culturais e/ou turístico da cidade. Por isso se faz necessário olharmos para o TIP não só como um simples terminal.
Sabendo de sua privatização é importante lembrarmos da otimização do seu espaço e mostrar a importância da criação de um espaço lúdico para se contar a história do terminal desde a sua idealização até a sua conclusão e posteriormente a sua vida ativa até hoje, bem como um melhor aproveitamento do seu espaço para a consolidação da divulgação da história do estado junto a manifestações de caráter culturais pois ficou notório a relevância do terminal como atrativo cultural para o aumento na demanda de turistas na cidade.
Portanto ao se finalizar este trabalho cientifico, houve uma percepção de considerável importância no sentido de colheita de dados, o que sabe-se que contribuirá para futuras ações implantadas pelos gestores do poder público atuantes neste processo
REFERÊNCIAS
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Eraldo Alves(auxiliar adm. do Tip até 2008)
Eraldo Alves(auxiliar adm. do Tip até 2008)
Olá Élbano, muito bom trabalho. Parabéns a todos pela iniciativa e são estes trabalhos que vem à valorizar o profissional de turismo e sua area em geral. um abraço.
ResponderExcluirAndré Oliveira.
Oi,
ResponderExcluirSão de pessoas assim, que nossa área precisa, achei muito produtivo o seu blog.
PARABÉNS, e acredite nos seus objetivos, vc tem muito potencial!!!
Boa sorte!!!!
Amaro Ricardo.